Lucas Guimarães recebe o prêmio ‘Innovators Under 35’, do MIT.
Arquivo pessoal/Lucas Guimarães
O empreendedor Lucas Guimarães, morador de São José dos Campos, foi um dos vencedores do prêmio ‘Innovators Under 35’, promovido pelo Massachusetts Institute of Technology, o MIT, uma das mais renomadas instituições de ensino em tecnologia do mundo.
O prêmio internacional, que já foi concedido a nomes como Mark Zuckerberg (Meta) e Larry Page (Google), reconhece e nomeia os 35 maiores inovadores do mundo com menos de 35 anos de idade.
Mestre e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o engenheiro mecânico recebeu o prêmio neste mês, durante o Rio Innovation Week, ao lado de outros 17 jovens brasileiros. Ele conseguiu essa conquista pelo desenvolvimento do ‘barco voador’.
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O chamado ‘barco voador’ é um tipo de aeronave que irá decolar e pousar sobre rios. A princípio, o veículo será utilizado no transporte de pessoas e cargas na região amazônica.
Lucas contou que tudo começou como um sonho entre amigos para a resolução de um problema regional na Amazônia, local onde ele cresceu, e que, aos poucos, está se tornando uma realidade.
Lucas e seus amigos Túlio Duarte e Felipe Bortolete, fundaram a AeroRiver, startup sediada em São José dos Campos. A ideia foi pensada com o objetivo de resolver os problemas logísticos na Amazônia.
Lucas Guimarães, Túlio Duarte e Felipe Bortolete são fundadores da AeroRiver.
Arquivo pessoal/Lucas Guimarães
Segundo o trio, a região amazônica é extensa, mas sofre com a falta de estradas e aeroportos. Por conta disso, a maior parte do transporte é feita por barcos, que são veículos muito lentos, o que deixa toda a cadeia logística bem travada, principalmente na época de seca dos rios – período em que as viagens de barco ficam inviabilizadas e não há estradas alternativas.
Foi então que, no fim de 2020, quando Lucas e Felipe estavam concluindo o mestrado no ITA, Túlio ligou para parabenizá-los e fez uma provocação sobre pegar o conhecimento adquiro por eles e ajudar de alguma maneira a região Norte do Brasil.
Após surgir a ideia, eles começaram a pesquisar maneiras e acabaram vendo um vídeo sobre um veículo de efeito solo – uma mistura de barco e avião, que voa sempre sobre a água, mas baixinho, a apenas 5 metros de altura.
A grande vantagem desse tipo de veículo é que nessa baixa altura surge um efeito aerodinâmico chamado de efeito solo, que deixa o veículo até 40% mais eficiente que as aeronaves tradicionais.
“Outra grande vantagem é a regulamentação, pois o veículo é considerado uma embarcação e não um avião”, disse Lucas.
Prontamente, perceberam que seria a melhor opção e começaram a projetar, com adaptações para operar na Amazônia.
Protótipo do ‘barco voador’ projetado pelos fundadores da AeroRiver.
Arquivo pessoal/Felipe Bortolete
Com quatro anos de empresa, eles já têm o primeiro veículo construído em escala real.
“O projeto como um todo é bem complexo. Estamos desenvolvendo um veículo que irá transportar dez pessoas ou uma tonelada de carga a 150 km/h, isso faz com que a gente tenha que ter um extremo cuidado para fazer com que o projeto seja o melhor possível, tanto em eficiência quanto em segurança”, explicou o engenheiro.
“Já temos um protótipo em subescala que já foi bem testado e estamos agora trabalhando para que ele seja um drone de transporte de pequenas cargas, em torno de 20 kg. Em paralelo, estamos construindo nosso veículo em escala real. Os testes dele serão feitos no começo de 2026”, continuou.
Lucas Guimarães contou que o sentimento de ter conquistado o prêmio é de bastante alegria e orgulho.
“Recebi a premiação sabendo que o trabalho que estamos fazendo dentro da AeroRiver está sendo reconhecido, inclusive por pessoas de fora da Amazônia e até mesmo do Brasil. A gratificação veio para chancelar a seriedade da nossa missão e do nosso comprometimento em ajudar a região Amazônica, que é tão próspera, a evoluir socioeconomicamente”, afirmou.
Segundo o engenheiro mecânico, seus próximos objetivos são a realização dos primeiros testes do veículo de efeito solo no início de 2026 e começar a operar no fim do ano.
*Estagiário Thiago Ventura colaborou sob supervisão de Alice Aires.
Protótipo do ‘barco voador’ projetado pelos fundadores da AeroRiver.
Arquivo pessoal/Felipe Bortolete
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Arquivo pessoal
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