Médico segurando estetoscópio
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A Justiça proibiu os hospitais particulares Ville Roy e Lotty Iris de suspenderem os serviços às pessoas atendidas pelo plano de saúde Geap em Roraima. A decisão liminar é da desembargadora Tânia Vasconcelos e foi dada noite desse domingo (10) no plantão no Tribunal de Justiça de Roraima.
Com a decisão, os dois hospitais estão impedidos de suspender total ou parcialmente os serviços pelos próximos 90 dias sob pena de serem multados. A decisão cabe recurso. A Geap atende a mais de 17 mil pessoas em Roraima, sendo grande parte de servidores públicos.
A ação da Geap contra o Ville Roy e o Lotty Iris foi ingressada na Justiça após as duas unidades informarem que suspenderiam o serviço. O presidente Douglas Figueredo informou, em entrevista ao g1, que a medida judicial foi necessária para garantir que o atendimento aos beneficiários não fosse cessado.
“Nosso primeiro passou foi garantir nossa segurança aos nossos clientes beneficiários. Foi o que fizemos”, disse Figueredo. Ele acrescentou que “essa cautelar [decisão judicial] vem para assegurar o atendimento. Isso nos garante que o nosso assistido não ocorrerá nenhum risco. Então, isso nos tranquiliza, de certa forma”.
Procurados, os hospitais Ville Roy e o Lotty não enviaram resposta até a última atualização da reportagem.
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Figueredo disse que foi a Geap foi surpreendida com a decisão dos hospitais de suspender o serviço. No dia 7 de agosto os dois hospitais comunicaram a operadora que cessariam os atendimentos do plano de saúde no dia 8 – no entanto, o atendimento não chegou a ser suspenso.
Glosas: cobrança fora do contratado
Bruno Marques, da Associação dos Hospitais Privados de Roraima, acusou a Geap de não ser transparente, de atrasar pagamentos e do excesso de glosas – quando há recusas parciais ou totais de pagamento feitas pelo plano aos prestadores por procedimentos
A Geap, no entanto, diz que tem seguido tudo que é pactuado nos contratos: pagamentos executados no prazo de 30 a 90 dias, além da entrega dos serviços listados conforme o contratado.
O que é a glosa? É um procedimento que ocorre quando o prestador do serviço – neste caso, o Lotty Iris ou o Ville Roy, faz uma cobrança que não está de acordo com os valores contratados. Por exemplo, se um hospital cobra R$ 1,2 mil por um material que, segundo o contrato, deveria custar R$ 1 mil a operadora glosa esse valor — ou seja, contesta e não paga a diferença até que haja uma justificativa ou negociação.
“A carta que eles apresentam eles manifestam dúvidas sobre sobre as glosas, pagamentos em atrasos e falta de relacionamento olha. Minha equipe teve cinco reuniões só com o hospital Ville Roy e duas com o Lotty Irís. Então não há motivação para apontar a falta de transparência”, disse o diretor.
A Geap, segundo Figueredo, pagou R$ 8,5 milões ao hospital Ville Roy e R$ 5,4 milhões ao Lotty Iris nos últimos três meses. O plano de saúde atende a servidores públicos que atuam no Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), Ministério Público de Roraima (MPRR), Defensoria Pública do Estado (DPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Universidade Federal de Roraima (UFRR).
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