Rebeldes que derrubaram a ditadura de Bashar al-Assad e assumiram o controle do país provisoriamente em dezembro de 2024 vinham sendo pressionados a iniciar um processo de transição para um governo que representasse a diversidade étnica da nação. Ahmad al-Sharaa, antes conhecido como Abu Mohammed al-Golani, líder do grupo rebelde HTS, que derrubou Bashar al-Assad em dezembro de 2024.
AP Photo/Mosa’ab Elshamy, File
O presidente da Síria, Ahmad al-Sharaa, anunciou neste sábado (29), a formação de um governo de transição. A informação é da agência Reuters.
Ahmad al-Sharaa é líder do grupo HTS que liderou ofensiva-relâmpago que derrubou o ditador sírio em dezembro de 2024.
Ele anunciou Hind Kabawat como a primeira mulher a integrar o novo governo, assumindo o ministério de Assuntos Sociais e Trabalho. Mohammed Yosr Bernieh foi nomeado para o ministério das Finanças.
Queda de Bashar al-Assad e nomeação de Ahmad al-Assad
Ahmad al-Sharaa, anteriormente conhecido como Abu Mohammed al-Golani, foi nomeado presidente interino da Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024 e quase 14 anos de guerra civil.
Líder do grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que desempenhou um papel fundamental na ofensiva que derrubou Assad, ele assumiu o cargo após um encontro entre facções rebeldes em Damasco, embora os curdos não tenham participado.
A nomeação marca uma nova fase de transição política, com o cancelamento da Constituição de 2012 e a promessa de elaborar uma nova carta constitucional para o país.
O governo interino, liderado por al-Sharaa, anunciou a dissolução de todas as facções armadas e a criação de um novo exército nacional sírio.
Nova constituição
Após três meses no poder, al-Sharaa assinou uma declaração constitucional que estabelece um período de transição de cinco anos para o país. Durante a assinatura no palácio presidencial em Damasco, Sharaa declarou que esperava inaugurar “uma nova história para a Síria”, substituindo a opressão pela justiça.
A nova constituição temporária mantém o islamismo como religião oficial do presidente e estabelece a jurisprudência islâmica como “a principal fonte de legislação”, em vez de “uma fonte principal”, como na constituição anterior.
Assassinato de civis alauítas
No início de março, o país viveu nova onda de violência com massacres que deixaram mais de 1.000 mortos, incluindo centenas de civis, após confrontos nas províncias de Latakia e Tartous. As mortes ocorreram depois que o governo reprimiu uma insurgência da minoria alauíta, ligada ao ex-ditador Bashar al-Assad.
Organizações como o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) acusam o novo governo de cometer abusos, enquanto a Federação de Alauítas na Europa denuncia uma “limpeza étnica sistemática”.
O líder sírio prometeu punição aos envolvidos em violações contra civis e acusou seguidores de Assad e potências estrangeiras de tentarem semear o caos e provocar uma nova guerra civil.
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Enquanto isso, o governo sírio enviou reforços para conter os últimos focos de resistência alauíta. Relatos de execuções sumárias, valas comuns e despejo de corpos no mar aumentaram as preocupações sobre a repressão do novo regime. Protestos contra os massacres foram dispersados em Damasco, com confrontos entre manifestantes e apoiadores do governo.
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