Fogo em floresta no município de Amajari, em Roraima
Oseias Martins/Rede Amazônica/Arquivo
Um boletim divulgado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) revelou que Roraima registrou 30 focos de calor em agosto deste ano. O número representa uma redução de 25% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram identificados 40 focos no estado.
Os dados têm como base informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 2025, o município que mais concentrou ocorrências foi Caracaraí, com seis focos. Na sequência, aparecem Cantá e Normandia, com quatro registros cada. No ano passado, Caroebe havia liderado o ranking, com 12 focos.
🔥 Nos primeiros meses de 2024, Roraima bateu recorde de focos de incêndio nos últimos 25 anos. Durante o período, os moradores viviam em meio à fumaça e, em algumas regiões, as chamas avançaram sobre áreas habitadas e chegaram a consumir casas.
Os números atuais mostram que a situação está longe da registrada no ano passado. Segundo o meteorologista Ramón Alves, a redução está diretamente ligada ao período chuvoso que ocorre no estado, entre abril e setembro.
“Historicamente, dentro do período chuvoso temos poucos focos de calor e incêndios florestais. Agora em setembro, as chuvas começam a diminuir e, com isso, os registros tendem a aumentar”, explicou.
De acordo com a Defesa Civil, as chuvas em Boa Vista ficaram acima da média nos últimos meses, elevando o nível do rio Branco, que chegou na cota de alerta de 8 metros. Atualmente, o rio segue dentro da normalidade, pouco acima dos 4 metros.
O boletim também aponta que, entre 5 e 26 de agosto, foram emitidas quatro autorizações para uso de fogo controlado, que juntas abrangem 694 hectares. O município de Alto Alegre concentrou três dessas permissões.
A queima controlada é regulamentada pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012) e só pode ser realizada com autorização do órgão ambiental estadual. É permitida, por exemplo, em práticas agrícolas de subsistência, combate a incêndios, pesquisas científicas e manejo em áreas de cerrado.
A Femarh destaca que o monitoramento é feito diariamente para verificar se as queimadas registradas correspondem às autorizações concedidas ou se tratam de ações criminosas.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da CBN Boa Vista, o Major Rodrigo Maciel, Gerente de Proteção e Defesa Civil, detalhou o monitoramento dos índices de chuva e os impactos nas regiões do interior.
“É importante que os municípios tenham uma resposta também, até porque eles estão mais próximos, a gente tem que dar a primeira resposta. Esse é o ponto, então assim, o município estando mais capacitado, ele é o primeiro a ficar sabendo de qualquer incidente que possa acontecer, então ele dando uma resposta, uma primeira resposta, a população vai ser atendida bem mais rápido”, explicou.
Período chuvoso
Atualmente, todos os municípios de Roraima estão sob alerta amarelo para chuvas intensas e ventos fortes, conforme comunicado emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O alerta permanece em vigor até as 10h de sexta-feira (29).
🟡 O alerta amarelo, que indica perigo potencial, prevê chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora ou 50 milímetros por dia, com ventos intensos que podem chegar até 60 km/h.
⛈️ Nesta classificação, existe um risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
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