Caique, de 10 anos, passou por uma cirurgia na coxa, chegou a ser entubado, mas já apresenta melhora. Parentes contaram que um homem que eles não conhecem parou para ajudar logo após o menino ser baleado, na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, na sexta (6). Crianças baleadas na Gardênia: menina tem alta do hospital, mas irmão segue internado após cirurgia
Parentes de Caique, de 10 anos, baleado na perna na última sexta-feira (6), disseram que o jovem só sobreviveu porque um homem que eles não conhecem parou para ajudar e fez um torniquete improvisado no local do sangramento. O procedimento de emergência fez com que o menino não perdesse muito sangue no trajeto até o hospital.
Caique e a irmã Mirela, de 5 anos, foram baleados durante um tiroteio na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, quando desceram do ônibus e se dirigiam para a casa de uma tia perto da comunidade.
De acordo com Vânia Pereira, tia de Caíque, a ajuda do homem foi fundamental para que o sobrinho chegasse ao hospital com vida. Ela contou que tudo aconteceu tão rápido que nem conseguiu agradecer o rapaz que realizou a manobra de emergência para conter o sangramento do menino.
“Eu falo sempre que Deus envia na hora certa, no momento certo e ele foi muito importante ali. (…) Eu queria agradecer muito, pedir brigado por ele ter ajudado naquela hora. Que Deus abençoe muito ele, muito, muito”, disse a tia do menino.
Menino passa por cirurgia
Mirela, que levou um tiro no ombro, deixou o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na tarde de sábado (7). Mas o irmão dela segue internado na unidade de saúde.
Caíque e Mirela foram baleados na Gardênia Azul
Reprodução/TV Globo
Caíque passou por uma cirurgia na perna, chegou a ser entubado, mas já começou a apresentar melhoras ao longo do dia.
Vânia Pereira, tia das crianças, esteve no quarto com o sobrinho e contou sobre a reação dos dois.
“Quando eu entrei ele falou: ‘Tia, toca no meu pé pra ver se tá mexendo'”, lembrou Vânia.
“Nós estamos felizes e ela (Mirela) também. Ela falou com a mãe: ‘O Caique vai morrer?’ ; ‘Fala pra ele que eu nunca mais fazer nada com ele'”, contou a tia ainda abalado pela situação dos sobrinhos.
Fugiram da violência na Vila Kennedy
A tia, a bisavó e um primo tinham acabado de descer de um ônibus na Rua Otávio Malta, conhecida como rua do valão, perto da comunidade Gardênia Azul, quando foram surpreendidos por tiros.
RJ tem 23 crianças baleadas em 2024
De acordo com os parentes, as crianças estavam indo para a casa da tia para ter um fim de semana de tranquilidade. Os irmãos de 5 e 10 anos vivem na Vila Kennedy, e a tia diz que foi buscá-los porque a comunidade onde os sobrinhos moram tem tido confrontos constantes.
“Tava calmo, quando fomos passando a calçada, daqui a pouco a gente vira as costas, eles começam um monte de tiro, que eu não sei de onde veio tanto tiro, parecia uma guerra”, disse Vânia Pereira.
“Eu sei também que não tá legal (na Gardênia). Mas pelo menos lá é mais tranquilo. Lá tem o condomínio, a gente fica lá dentro (…) Eu chego e encontro a guerra aqui. Fugiu da guerra lá (Vila Kennedy) e encontrou ela aqui”, completou a tia das crianças, ainda abalada pela violência.
Segundo testemunhas, os tiros foram disparados por dois homens em uma moto. Além dos irmãos, que estão internados no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, uma mulher foi baleada – ela já recebeu alta.
A Polícia Militar informou que não havia operação na região no momento do tiroteio. O caso é investigado pela delegacia da Taquara, que tenta identificar os autores dos disparos.
Duas crianças e uma mulher foram baleadas na Zona Oeste do Rio
23 crianças baleadas no ano
Com esse ataque, chega a 23 o número de crianças baleadas no Rio em 2024, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.
A direção da unidade de saúde disse que Antônia foi atendida e liberada. Já Caíque e Larissa permanecem internados e têm quadro estável.
O menino foi atingido na coxa e passou por cirurgia. Já Larissa foi ferida no ombro e está fora de perigo.
O tiroteio aconteceu na Rua Otávio Malta, conhecida como a rua do valão. Segundo a tia das crianças, a família tinha descido de um ônibus e andava pela calçada quando foi surpreendida pelos disparos.
Disputa por território
A região da Gardênia Azul tem sido alvo de trocas de tiros entre criminosos que disputam espaço nas comunidades da Zona Oeste.
A guerra entre traficantes e milicianos tem transformado o cotidiano dos moradores em um cenário de medo e violência. Há relatos de tiroteios frequentes, toque de recolher e intimidações.
A disputa pelo controle territorial envolve o domínio do tráfico de drogas e a cobrança de taxas ilegais, como o gatonet e serviços básicos clandestinos, ampliando a sensação de insegurança na região.
Gardênia Azul
Reprodução/TV Globo